Pois foi numa esquina, quando me deu vontade de comer doce, que entrei num Dunkin&Donuts e, entre rosquinhas esbranquiçadas, encontrei uma variedade de sabores de sorvete. Desde longe (o que pra mim são tipo 30 cm, porque sou cega), vi que dois deles eram verdes. Como não há variedade de pistache, o coração começou a palpitar. Logo, a descoberta: na Colômbia, sim, tem sorvete de mentaaaaa!
Amo sorvete de menta. Originalmente, confesso, esse gosto em mim foi influenciado. Minha tia Lisa sempre pedia esse sabor quando íamos tomar sorvete no Rocha, em Ubatuba. Mas o encontro entre eu e essa delicatesse foi tão tão, que, desde os 10 anos, essa é minha pedida certa (ainda que eu combine esse sabor com alguma variação de sorvete de chocolate).
Daí a minha extrema alegria ao descobrir que o "outro" verde era de menta.
Não pedi o sorvete nesse momento. Saí de lá preparando mentalmente a notícia para contar ao Alex, que tanto buscou esse sabor comigo durante meu primeiro ano em Bogotá (já comentei que cumpri 365 de Cocolômbia dia 3 de agosto?). Ia dizer pra ele que minha primeira tomada de sorvete de menta em território colombiano ia ser com ele.
Nos encontramos fora de casa nessa mesma segunda-feira para tomar algo, e o clima estava raro. Terminamos discutindo, depois de um encontro todo atrevessado, que nem eu, nem ele entendemos ou provavelmente chegaremos a entender. No lugar da minha notícia tonta, mas bem animada, o comunicado - recíproco - foi que já não tinha por onde tentar refrescar nossa relação.
Entre mortos e feridos, fico (e terei que ficar) com a refrescância do meu recém-descoberto sorvete de menta. Vou tomá-lo sozinha, essa primeira vez.
Por que será que as buscas sempre parecem acontecer a dois, enquanto as descobertas só se dão mesmo na solidão?
viernes, 15 de agosto de 2008
Crônica amorosa de um sorvete de menta
miércoles, 6 de agosto de 2008
O amor - eu sei - existe

Pedro Pana é a prova na minha vidinha que alguém pode prometer mundos e fundos pra você. Fui pra Guajira, onde o conheci, e descobri que valho o equivalente a dois caminhões de bode + duas caixas de whisky. É que nessa região da Colômbia os homens eventualmente trocam seus bens por mulheres que valham a pena. Uma “normalzinha” pode chegar a valer 2 bodes, mas a minha pessoa – que pareceu ter agradado – vale são dois caminhões mesmo, além do whisky de contrabando. Só esqueci de perguntar se posso eu mesma trocar os caminhões e os whiskies por mim. Nenhum risco de mal negócio: minha alma eu entregaria, sem mais.
Bom, ele também me prometeu uma casa na praia. E queria pagar o segundo semestre do meu mestrado. Quis saber quantas horas de vôo são para o Brasil, quanto vale a passagem e como faz pra marcar. Chamou minha mãe de sogra, botou panca no cara que cuidava do barraco onde eu fiquei hospedada em uma rede para ele cozinhar frango pra mim (lá só tem peixe) e também cuidou do meu abastecimento diário de cerveja (umas 20 “shortnecks” por dia; short porque cada garrafa tem tipo 200 ml).
Aí eu pergunto pra vocês: o amor, a doação e a piração existem ou alguém ainda duvida???
Bom, ele também me prometeu uma casa na praia. E queria pagar o segundo semestre do meu mestrado. Quis saber quantas horas de vôo são para o Brasil, quanto vale a passagem e como faz pra marcar. Chamou minha mãe de sogra, botou panca no cara que cuidava do barraco onde eu fiquei hospedada em uma rede para ele cozinhar frango pra mim (lá só tem peixe) e também cuidou do meu abastecimento diário de cerveja (umas 20 “shortnecks” por dia; short porque cada garrafa tem tipo 200 ml).
Aí eu pergunto pra vocês: o amor, a doação e a piração existem ou alguém ainda duvida???
Novamente bogotando, presente e atuante
Uhú!Fui, voltei, e aqui estou de volta.
Estou devendo aquela explicação sobre meu bombástico primeiro semestre: o que aconteceu é que a realidade provou seu cacife, e minha insistência dourada em acreditar que o amor existe e é facinho teve que se transformar em uma pequena mas pesada administração de conflito.
Saí da casa do Alex, fui viver na Candelária (bairro colonial que fica no centro de Bogotá), onde o frio congela os pés, as mãos e às vezes os ânimos (o bairro é alto, portanto mais frio, e as paredes das casas, que por sinal são lindas, não esquentam muito). Em poucas palavras, tive que usar meu então nível reduzido de energia pra trabalhar, manter em dia o mestrado e me tirar do “bajón”. Acho que deu certo, porque fui a São Paulo trabalhar e conseguir plata pra seguir com os planos aqui (ou onde quer que seja), pensei e voltei. E, falando a verdade, passei um período muito legal na Candelária, sem falar da viagem de renovação à Guajira, região norte da Colômbia, onde o deserto encontra o mar do Caribe – e eu me encontrei, feliz (a fotinha é pra ilustrar o curioso estado de espírito). Resultado: nova visão das coisas colombianas e da minha participação aqui na loucurinha.
Bom, explicado o drama, vamos pra fase “paquitas, nova geração”. Voltei com os votos renovados. Estive em Buenos Aires, e minha querida amiga Helô (que cuidou muito bem de mim) foi uma grande inspiração para esse essencial desapego às coisas materiais que a pessoa tem que ter para ser um andarilho no mundo. Ela também faz mestrado fora, lá em Buenos Aires, e sabe da importância não só de “ter somente aquilo que se pode carregar”, citando-a devidamente, como de seguir adiante com os planos, ainda mais quando são planos de estudo, aprendizagem, experiência no mundo. Ser coerente, ser persistente.
Se tudo acontece como planejei (se leram o parágrafo anterior, sabe que não vai ser bem assim, mas não importa), em Bogotá estarei até o final do ano que vem. Não sei se já comentei aqui, mas a Colômbia me tem obcecada com o que é um país. Um país são duas coisas: um contexto social, político e econômico, por um lado, e um coração, por outro. Estou ligada à Colômbia por esses dois lados, e bastante. Quero me meter nesse contexto, aprender, me empanturrar e depois seguir a vida como seja, mas diferente. E também me sinto em casa, e aí está a parte do coração. Nunca senti aqui que estava em um lugar desconhecido. Sensação assim, estando de fato em um lugar desconhecido, não é coisa que eu queira desprezar.
Ando fazendo mil coisas e louca pra me organizar. Tenho muitas vontades e poucas horas no dia, assim que o mestrado vai ter que imperar, e o tempo que sobra terei que repartir entre o trabalho na produtora, o esforço pra manter vivo meu querido e necessário Lalatina.com.br, as colaborações com a Arcadia, com a Folha e, com sorte, com a Piauí, o projeto do livro, o projeto do roteiro, e os jobs que me garantem a grana. Muita coisa, já viram, então algo vai ter que dançar, antes que dance eu.
O fato é que sigo aqui presente e atuante. Ando com vontade de escrever coisas que não têm que ser tão pensadas antes de tocar o papel, assim que este meu querido e humilde blog pode ser uma boa via de escape, assim como os ouvidos (ou olhos) de vocês, queridos amiguinhos.
Estarei ainda mais presente. E atuante.
Besos, besos, desde o país da Operação Xeque, Jaque, Jegue....
lunes, 16 de junio de 2008
Blindness, de fora pra fora

Estou desaparecida, é verdade. Se serve como desculpa, não é só deste blog, senão de mim mesma. Explico: anda difícil escrever textos sobre mim e minhas experiências, aqueles leves e até gostosos (arrisco dizer), porque anda difícil reflexionar, criar etc. Aconteceram coisas chatas nos últimos meses que me impediram de estar "em ponto de" oferecer, mas que também foram legais para aprender coisas, ou seja, fazer um exercício de fora pra dentro. E isso, num blog, fica difícil de publicar.
Ai, ai, ai. Mas enrolação e mea culpa deixados de lado, apareci novamente para dizer que há um novo artigo meu na Arcadia! E é legal!
O tema da vez é o Blindness, novo filme do Meirelles, e o texto é uma homenagem (que tentei fazer) às pessoas que se esforçam para dar o melhor de si em seus trabalhos (como acredito que é o caso do Fernando, mesmo sem conhecê-lo) e também àqueles que são talentosos além de finos, como demonstrou ser Saramago, o dono da história original contada pelo filme, que reagiu brilhantemente à adaptação de Meirelles.
Desculpem (ai, cultura católica) por só estar reproduzindo coisinhas aqui, mas é o jeito. Acho que em pouco tempo conseguirei inverter a ordem e voltar ao de dentro pra fora.
Comentem, pues!
:: ¿Quien es el ciego? (Arcadia) em espanhol, aqui.
:: Quem é o cego? (La Latina) em português, aqui.
Ai, ai, ai. Mas enrolação e mea culpa deixados de lado, apareci novamente para dizer que há um novo artigo meu na Arcadia! E é legal!
O tema da vez é o Blindness, novo filme do Meirelles, e o texto é uma homenagem (que tentei fazer) às pessoas que se esforçam para dar o melhor de si em seus trabalhos (como acredito que é o caso do Fernando, mesmo sem conhecê-lo) e também àqueles que são talentosos além de finos, como demonstrou ser Saramago, o dono da história original contada pelo filme, que reagiu brilhantemente à adaptação de Meirelles.
Desculpem (ai, cultura católica) por só estar reproduzindo coisinhas aqui, mas é o jeito. Acho que em pouco tempo conseguirei inverter a ordem e voltar ao de dentro pra fora.
Comentem, pues!
:: ¿Quien es el ciego? (Arcadia) em espanhol, aqui.
:: Quem é o cego? (La Latina) em português, aqui.
domingo, 11 de mayo de 2008
Filhos de (Cidade de) Deus
Mais um artigo meu pra Arcadia (a revista de cultura colombiana)!Como quem leu a respeito sabe, o Brasil está bombando este ano em Cannes. Esse não é um texto exatamente a esse respeito, mas foi escrito quando ainda se farejava a boa onda que ia rolar, e também juntando os frutos de Berlim, com Tropa, e outros dadozinhos.
Aí vai o link pra ler e comentar: www.revistaarcadia.com/ediciones/31/cine1.html.
PS. Em breve, mais um (artigo) vem aí.
miércoles, 16 de abril de 2008
Hello, blog + continho
Ando sumida, mas lhes conto que o abacaxi andou difícil de descascar para mim nas últimas semanas desta fria Bogotá (este mês bateu recorde, gente). Mais detalhes da hartera (perrengue), como dizem por aqui, eu deixarei escapar depois. Agora quero compartir com os amigos já putos pelo meu sumiço do blog um cuentico que escrevi esses dias. Pra quem quiser, pode descascar também (afinal, confesso que ando craque em bucha).

ESCUELA
Eran muchachos entre los 12 y 13 años. En esta edad, todo es una cuestión de disimular las infantilidades que todavía quedan y de conquistar la vida adulta, ejercitando al máximo la curiosidad y, claro, liberando las hormonas cultivadas por más de una década. Por eso, en la escuela, lo que hacían era probar aquí y allá, jamás quedándose demasiado tiempo con la misma pareja. Estaban influidos por series televisivas que veían por cable, Fox, Warner y AXN, es cierto, en las que el amor y los celos son moneda corriente y nunca se quedan demasiado tiempo en los mismos bolsillos.
Uno de estos días, Helena le dijo a Eloisa que quería a Enrique. Las dos siempre fueron buenas amigas, desde el segundo grado, cuando, en los intervalos de Disney Channel y Discovery Kids, jugaban en el patio con sus muñecas Barbies, que las representaban a ellas mismas, y a las cuales les agregaron maridos, de manera algo precipitada, a la edad de 18 años, poniéndoles también hijos (tres cada una) enseguida de la boda. Ahora, en el sexto y con hartos capítulos de “Beverly Hills 90210” y “Mel Rose Place” en la espalda, reconsideraron los planes. Mejor sería casarse más tarde, a los 30 o más, tal vez con unos extranjeros de ojos azules que estén de viaje por el Caribe colombiano. Muchos europeos pasan vacaciones en las islas de San Andrés y Providencia, por eso es tan caro para uno viajar para allá en enero, decía siempre la madre de Helena los lunes, cuando veía los programas de viaje de People&Arts.
Inspirada por varios episodios de “Mujeres desesperadas”, Helena se preparó para la fiesta de cumpleaños de Enrique como si esa fuera su propia boda (de estas provisionales, pero no menos importante). Cepillado, blusa nueva y apretada, pantalón descaderado, perfume caro que el tío viajero trajo de los Estados Unidos, o del Duty Free, poco importa, y échese maquillaje que le transformaba la cara, dulce en días normales de clases. Eloisa no quedó atrás. Cepillado, vestido nuevo y corto, botas como las que vio hace poco en la protagonista de la telenovela de las 9, perfume barato robado de la hermana mayor y échese maquillaje que le transformaba la cara, suave de lunes a viernes.
Iban juntas a la fiesta, que por fin es horrible llegar sola, pero los cepillados de una y de otra complicaran el encuentro. Como Jennifer Aniston en “Mi novia Polly”, Helena tiene el pelo liso y rubio y largo, cosa que Enrique jamás podrá resistir, y eso lleva mínimo 20 minutos más para estirar y planchar. Coqueta y confiada, llegó al evento caminando con dificultades sobre tacones que no se ven a la edad de 12 años. Superó desniveles de la calle del barrio pobre y huecos de alcantarillas destapadas, pero no pudo sino desmoronarse al ver Eloisa entrenando su primer beso en Enrique, sin que la escena se pareciera en nada a la de “Sex and the City”, tantas y repetidas veces estudiada por las dos.
Si no fuera por Horacio, el inteligente de los lentes gruesos, hubiera caído, llamando la atención general para su tragedia al estilo de “Ugly Betty”. Pensó en cambiar radicalmente la situación, pasando de patito feo a la protagonista que le mete la mano en la cara a la antagonista-ladrona-de-futuros-novios. Estaba a punto de enganchar este final, pero el hecho es que un sueño con tantos puntos de giro no es fácil conciliar.
Dio más vueltas de lo normal en la cama y terminó despertándose con los pasos de la madre, que acababa de cruzar el pasillo al lado de su habitación. Abrió los ojos de un golpe, miró a su alrededor y abrazó el osito de peluche que le había regalado Horacio con una hermosa invitación para la fiesta del próximo sábado. Sin pensar dos veces, agarró el control remoto y, decidida, apagó el televisor que había estado hablando solo durante las dos últimas horas.
Para ver televisión hay hora, le diría la mamá.

ESCUELA
Eran muchachos entre los 12 y 13 años. En esta edad, todo es una cuestión de disimular las infantilidades que todavía quedan y de conquistar la vida adulta, ejercitando al máximo la curiosidad y, claro, liberando las hormonas cultivadas por más de una década. Por eso, en la escuela, lo que hacían era probar aquí y allá, jamás quedándose demasiado tiempo con la misma pareja. Estaban influidos por series televisivas que veían por cable, Fox, Warner y AXN, es cierto, en las que el amor y los celos son moneda corriente y nunca se quedan demasiado tiempo en los mismos bolsillos.
Uno de estos días, Helena le dijo a Eloisa que quería a Enrique. Las dos siempre fueron buenas amigas, desde el segundo grado, cuando, en los intervalos de Disney Channel y Discovery Kids, jugaban en el patio con sus muñecas Barbies, que las representaban a ellas mismas, y a las cuales les agregaron maridos, de manera algo precipitada, a la edad de 18 años, poniéndoles también hijos (tres cada una) enseguida de la boda. Ahora, en el sexto y con hartos capítulos de “Beverly Hills 90210” y “Mel Rose Place” en la espalda, reconsideraron los planes. Mejor sería casarse más tarde, a los 30 o más, tal vez con unos extranjeros de ojos azules que estén de viaje por el Caribe colombiano. Muchos europeos pasan vacaciones en las islas de San Andrés y Providencia, por eso es tan caro para uno viajar para allá en enero, decía siempre la madre de Helena los lunes, cuando veía los programas de viaje de People&Arts.
Inspirada por varios episodios de “Mujeres desesperadas”, Helena se preparó para la fiesta de cumpleaños de Enrique como si esa fuera su propia boda (de estas provisionales, pero no menos importante). Cepillado, blusa nueva y apretada, pantalón descaderado, perfume caro que el tío viajero trajo de los Estados Unidos, o del Duty Free, poco importa, y échese maquillaje que le transformaba la cara, dulce en días normales de clases. Eloisa no quedó atrás. Cepillado, vestido nuevo y corto, botas como las que vio hace poco en la protagonista de la telenovela de las 9, perfume barato robado de la hermana mayor y échese maquillaje que le transformaba la cara, suave de lunes a viernes.
Iban juntas a la fiesta, que por fin es horrible llegar sola, pero los cepillados de una y de otra complicaran el encuentro. Como Jennifer Aniston en “Mi novia Polly”, Helena tiene el pelo liso y rubio y largo, cosa que Enrique jamás podrá resistir, y eso lleva mínimo 20 minutos más para estirar y planchar. Coqueta y confiada, llegó al evento caminando con dificultades sobre tacones que no se ven a la edad de 12 años. Superó desniveles de la calle del barrio pobre y huecos de alcantarillas destapadas, pero no pudo sino desmoronarse al ver Eloisa entrenando su primer beso en Enrique, sin que la escena se pareciera en nada a la de “Sex and the City”, tantas y repetidas veces estudiada por las dos.
Si no fuera por Horacio, el inteligente de los lentes gruesos, hubiera caído, llamando la atención general para su tragedia al estilo de “Ugly Betty”. Pensó en cambiar radicalmente la situación, pasando de patito feo a la protagonista que le mete la mano en la cara a la antagonista-ladrona-de-futuros-novios. Estaba a punto de enganchar este final, pero el hecho es que un sueño con tantos puntos de giro no es fácil conciliar.
Dio más vueltas de lo normal en la cama y terminó despertándose con los pasos de la madre, que acababa de cruzar el pasillo al lado de su habitación. Abrió los ojos de un golpe, miró a su alrededor y abrazó el osito de peluche que le había regalado Horacio con una hermosa invitación para la fiesta del próximo sábado. Sin pensar dos veces, agarró el control remoto y, decidida, apagó el televisor que había estado hablando solo durante las dos últimas horas.
Para ver televisión hay hora, le diría la mamá.
jueves, 27 de marzo de 2008
O poder das palavras
Quando me ambientei aqui na Colômbia, superei o estágio de ouvir o espanhol e comecei a escutar as palavras que usavam. Me contaram que o espanhol tem, todos os regionalismos incluídos, quase 500 mil palavras (fonte confiável: meu professor engomadinho de Gramática). Os colombianos, entre tantas opções, têm suas preferidas. Algumas:
- Não é "lo siento", é "que pena" ou, melhor ainda, "qué pena con usted";
- Em vez de "hombre", "man";
- "Pensadera" em vez de "reflexión";
- Não "prisa", senão "afán";
- Nada de "pasa", o certo é "camina";
- "¿Como estás?" deu lugar para "¿Qué más?" ou para "? Qué hubo?";
- Não é "niño(a)", mas "chino(a)";
- Em vez de "interesante", "chévere";
- "Mamera" em lugar de "cansón";
- "Parce" é o certo, esquece "amigo";
- E O CLÁSSICO: é "tinto" e não "café".
E isso para dar alguns exemplinhos. Já entre as palavras das quais fazem uso próprio, eu destacaria as superintensas "transcendental" (para qualquer coisa que julguem "importante"), "deprimido" (para uma tristezinha básica) e "adiós" (para um simples tchau).
Cada um com seu cada qual ;-)
miércoles, 19 de marzo de 2008
Debut na política

Não que eu ache que a moda ou o cinema sejam menos importantes que a política, mas, sim, eu andava mais preocupada com o fato de entrevistar aqui em Bogotá a Gustavo Petro (meu primeiro entrevistado-político) que Alexandre Herchcovitch durante o São Paulo Fashion Week (apesar do altíssimo mau humor desse último, sempre assustador).
Concluí que pra relaxar e gozar o lance era estudar, preparar as perguntas antes e simplesmente "servi de canal" pro cara contar o conto. E assim foi. E é bem simpático e articulado o tipo; fato é que até curti.
A entrevista foi publicada no Terra Magazine. Fiquei bem feliz com o feito, afinal ninguém no Brasil havia conversado com o cara - que deu bem boas declarações.
O resultado está nos links abaixo, e espero que apareçam comentários dos amigos por aqui.
Português: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2691088-EI6580,00.html.
Espanhol: http://www.co.terra.com/terramagazine/interna/0,,OI2692012-EI8868,00.html.
Concluí que pra relaxar e gozar o lance era estudar, preparar as perguntas antes e simplesmente "servi de canal" pro cara contar o conto. E assim foi. E é bem simpático e articulado o tipo; fato é que até curti.
A entrevista foi publicada no Terra Magazine. Fiquei bem feliz com o feito, afinal ninguém no Brasil havia conversado com o cara - que deu bem boas declarações.
O resultado está nos links abaixo, e espero que apareçam comentários dos amigos por aqui.
Português: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2691088-EI6580,00.html.
Espanhol: http://www.co.terra.com/terramagazine/interna/0,,OI2692012-EI8868,00.html.
martes, 4 de marzo de 2008
Chovendo em novos lugares
O 48º Festival de Cinema de Cartagena e o 11º Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá são dois temas que eu podia ter abordado nesse blog - o qual, na verdade, trata humildemente das minhas observações mais do que de dicas e serviços. Mas para que vou chover onde já chovi?

O primeiro caso, na verdade, entrou no blog da Latina (confiram). Já do segundo, um dos grandes acontecimentos da vida cultural de Bogotá, ainda dá pra falar, mas acho mais legal esperar que passe para contar com olhares de "eu fui e achei o seguinte" (assim que, aguardem).

O fato é que a grande novidade deste post é que tanto um assunto quanto o outro viraram meus temas de colaboração com o recém-nascido blog do Repique, hospedado no Terra e a cargo de Paula Guedes, amiga de uma queridíssima amiga minha, e Odara Carvalho. Ambas são atrizes, e o tema das meninas no Repique é "variedades". O post de Cartagena foi publicado sexta passada (vejam aqui; o festival rola até dia 7 de março); o do Festival Iberoamericano será liberado nesta sexta (vejam lá).
Acho uma verdadeira delícia isso dos blogs assumirem o "quente jornalístico". Pode ser perigoso, porque é mais difícil saber em quem confiar, mas também da para pesquisar bem e escolher seu lugar de colher informação, sua linguagem e seu pique preferidos. Tem vários por aí, e são cada vez mais profissionais. Ah, e melhor: liberam o que há de mais coloquial nas pessoas.
O blog das meninas tem pique e muitas ganas de falar de assuntos legais. Tanto que arriscaram uma colaboração à distância, para puras notícias da Colômbia é de Bogotá. Eu, como haveria de ser, recomendo.

O primeiro caso, na verdade, entrou no blog da Latina (confiram). Já do segundo, um dos grandes acontecimentos da vida cultural de Bogotá, ainda dá pra falar, mas acho mais legal esperar que passe para contar com olhares de "eu fui e achei o seguinte" (assim que, aguardem).

O fato é que a grande novidade deste post é que tanto um assunto quanto o outro viraram meus temas de colaboração com o recém-nascido blog do Repique, hospedado no Terra e a cargo de Paula Guedes, amiga de uma queridíssima amiga minha, e Odara Carvalho. Ambas são atrizes, e o tema das meninas no Repique é "variedades". O post de Cartagena foi publicado sexta passada (vejam aqui; o festival rola até dia 7 de março); o do Festival Iberoamericano será liberado nesta sexta (vejam lá).
Acho uma verdadeira delícia isso dos blogs assumirem o "quente jornalístico". Pode ser perigoso, porque é mais difícil saber em quem confiar, mas também da para pesquisar bem e escolher seu lugar de colher informação, sua linguagem e seu pique preferidos. Tem vários por aí, e são cada vez mais profissionais. Ah, e melhor: liberam o que há de mais coloquial nas pessoas.
O blog das meninas tem pique e muitas ganas de falar de assuntos legais. Tanto que arriscaram uma colaboração à distância, para puras notícias da Colômbia é de Bogotá. Eu, como haveria de ser, recomendo.
domingo, 17 de febrero de 2008
Eu estava devendo...
...uma palavrinha sobre a última marcha do dia 4 de fevereiro, contra as FARC, que rolou simultaneamente em várias cidades do mundo. Uma querida amiga jornalista, a Janis, me escreveu pra perguntar de que se tratava a coisa e pra pedir uma opinião sobre apoiar ou não apoiar, já que ela não queria "estar do lado de nenhum imperialista fdp".
Bom, eu também jamais quero. Por isso, dei uma sentida geral e, no começo, a coisa parecia ser "simplesmente" contra as Farc. Mas os dias passaram, digamos, e logo o governo colombiano se aproveitou para divulgar a coisa à exaustão, colocar grana pra organizar uma infra (incluindo um palanque em frente do Palácio na Plaza de Bolívar com telão da RCN), mandar fazer camisetas etc.
Quando saí um domingo, dia anterior ao evento, pra dar uma volta por Usaquen, vi que o frenesi dos vendedores de camisetas que diziam "Colombia soy yo" e algo como "no a las FARC" estava pesado, tive certeza que o negócio estava perdido. Foi aí que escutei o vendedor gritar Marcha pa' niño, marcha pa' niñaaaa! e perdi grandão a esperança.
Mas na segunda saí às ruas pra ver de que se tratava. Nada trascedental, muita gente. Em todo caso, fiz imagens com a camerita.
E no mais: querida Janis, espero que não tenhamos apoiado Uribe e sim dado voz a um pedido de não-violência. Num país (e numa América Latina) tão polarizado, em que os que marcham contra as Farc, estão marchando pelo presidente.... Bem que seria interessante olhar as coisas com mais matizes.
Bom, eu também jamais quero. Por isso, dei uma sentida geral e, no começo, a coisa parecia ser "simplesmente" contra as Farc. Mas os dias passaram, digamos, e logo o governo colombiano se aproveitou para divulgar a coisa à exaustão, colocar grana pra organizar uma infra (incluindo um palanque em frente do Palácio na Plaza de Bolívar com telão da RCN), mandar fazer camisetas etc.
Quando saí um domingo, dia anterior ao evento, pra dar uma volta por Usaquen, vi que o frenesi dos vendedores de camisetas que diziam "Colombia soy yo" e algo como "no a las FARC" estava pesado, tive certeza que o negócio estava perdido. Foi aí que escutei o vendedor gritar Marcha pa' niño, marcha pa' niñaaaa! e perdi grandão a esperança.
Mas na segunda saí às ruas pra ver de que se tratava. Nada trascedental, muita gente. Em todo caso, fiz imagens com a camerita.
E no mais: querida Janis, espero que não tenhamos apoiado Uribe e sim dado voz a um pedido de não-violência. Num país (e numa América Latina) tão polarizado, em que os que marcham contra as Farc, estão marchando pelo presidente.... Bem que seria interessante olhar as coisas com mais matizes.
De 2008 até o ano 100 mil
Gente! Começou o Ciclo de Comemorações dos 28 anos da tradicionalíssima, moderna, infalível e sempre consciente Camila Moraes. O primeiro evento foi um churrasco feito pelos pais do Alex (com sopa de entrada, vai entender o conceito colombiano de churrasco), seguido de bolo com meu nome escrito e tudo. Mais atividades virão.
Como este ano estou na Colômbia, achava que o parabéns deveria ser em espanhol. Porém, como faz dois mandatos que Uribe está poder (e o país anda meio vendido pros EUA), a musiquinha é cantada aqui em inglês - mas com um sotaque horrivelmente colombiano, o que já me mata de rir e ameniza a coisa.
A segunda estrofe eles, sim, cantam em espanhol: Que los cumpla feliz/que los vuelva a cumplir/que los siga cumpliendo.../hasta el año 100 mil.
Que tal "os anos 100 mil", hein? Não andam informados sobre o aquecimento global.
E pra quem não sabe: o cumple é nesta quinta, dia 21. Mandem ver no Sedex!!!
Como este ano estou na Colômbia, achava que o parabéns deveria ser em espanhol. Porém, como faz dois mandatos que Uribe está poder (e o país anda meio vendido pros EUA), a musiquinha é cantada aqui em inglês - mas com um sotaque horrivelmente colombiano, o que já me mata de rir e ameniza a coisa.
A segunda estrofe eles, sim, cantam em espanhol: Que los cumpla feliz/que los vuelva a cumplir/que los siga cumpliendo.../hasta el año 100 mil.
Que tal "os anos 100 mil", hein? Não andam informados sobre o aquecimento global.
E pra quem não sabe: o cumple é nesta quinta, dia 21. Mandem ver no Sedex!!!
Heloca em Bogotá!
Amigos da onça aí em São Paulo, percebam:
Minha amiguinha Helô Reinert, também conhecida como Heloca, foi a primeira (e única) que prometeu vir me visitar e realmente cumpriu a promessa, tá???
Ela é uma colega jornalista que decidiu largar tudo (essa prática sempre me soa familiar) pra fazer um mestrado em Buenos Aires. Usa expressões como "viva a militância light" e "mejor el juuuuueves" com bastante frequência. E adorou a Colômbia, tanto que está perdida pelo Caribe já faz algumas semanas, sem me dar qualquer sinal de vida (afastemos as Farc do pensamento).
Dona Heloca é dona de um blog bem animadinho, o Sabalon, escrito com outros dois amigos. Para quem quiser conferir: http://www.san-ba-lon.blogspot.com/.
E "viva a gente", como diz a mesma.
Minha amiguinha Helô Reinert, também conhecida como Heloca, foi a primeira (e única) que prometeu vir me visitar e realmente cumpriu a promessa, tá???
Ela é uma colega jornalista que decidiu largar tudo (essa prática sempre me soa familiar) pra fazer um mestrado em Buenos Aires. Usa expressões como "viva a militância light" e "mejor el juuuuueves" com bastante frequência. E adorou a Colômbia, tanto que está perdida pelo Caribe já faz algumas semanas, sem me dar qualquer sinal de vida (afastemos as Farc do pensamento).
Dona Heloca é dona de um blog bem animadinho, o Sabalon, escrito com outros dois amigos. Para quem quiser conferir: http://www.san-ba-lon.blogspot.com/.
E "viva a gente", como diz a mesma.
O famoso documentário Minutos compartidos
Ahá! A minha estréia no mundo da produção cinematográfica tardou, mas não deixou de seguir a regra infalível do "começo de carreira é pra apagar da memória".
Para os que não sabiam que eu andei fazendo um curso de documentários, aí está de uma vez o curta documental que fiz durante meus primeiros meses de Bogotá. É sobre a venda de ligações via celulares (privados) nas ruas da cidade. Essa, para quem não sabe, é uma prática bastante bizarra na Colômbia, em que um fulano pega seu próprio celular e sai às ruas com uma plaquinha (e às vezes com correntes, pra que ninguém robe os aparelhos) e vende "minutos".
Quando passei aqui pela primeira vez, pensei: "E a privacidade, gente?". Foi por isso que fiz a coisa com um olhar menos sócio-econômico e mais morboso (de curiosidade e fofoca) mesmo.
O Minutos compartidos II vai tratar da seguinte pergunta: por que no Brasil não fazem as mesma coisa??? Quem quiser contribuir com a investigação, por favor deixe seus comentários a respeito.
Bueno, taí pra constar. Opinem! E perdõem a falta temporária de legendas em português (que pode chegar a ser grave, porque as conversas são a grande sacada do filmeco).
PD. Para os que estão chateados que o blog anda parado, não se chateiem mais. Tenham somente em conta que o mestrado começou e que a coisa tá pegando aqui em Bogotá! Mesmo assim, vou me redimir.
Para os que não sabiam que eu andei fazendo um curso de documentários, aí está de uma vez o curta documental que fiz durante meus primeiros meses de Bogotá. É sobre a venda de ligações via celulares (privados) nas ruas da cidade. Essa, para quem não sabe, é uma prática bastante bizarra na Colômbia, em que um fulano pega seu próprio celular e sai às ruas com uma plaquinha (e às vezes com correntes, pra que ninguém robe os aparelhos) e vende "minutos".
Quando passei aqui pela primeira vez, pensei: "E a privacidade, gente?". Foi por isso que fiz a coisa com um olhar menos sócio-econômico e mais morboso (de curiosidade e fofoca) mesmo.
O Minutos compartidos II vai tratar da seguinte pergunta: por que no Brasil não fazem as mesma coisa??? Quem quiser contribuir com a investigação, por favor deixe seus comentários a respeito.
Bueno, taí pra constar. Opinem! E perdõem a falta temporária de legendas em português (que pode chegar a ser grave, porque as conversas são a grande sacada do filmeco).
PD. Para os que estão chateados que o blog anda parado, não se chateiem mais. Tenham somente em conta que o mestrado começou e que a coisa tá pegando aqui em Bogotá! Mesmo assim, vou me redimir.
miércoles, 30 de enero de 2008
De volta à minha (louca) casa

De volta a Bogotá. E com a sensação de que é um barato voltar pra cidade natal da gente – São Paulo, no meu caso – e sentir que se está de visita. Pois foi o que eu senti, não exatamente caminhando pela Paulista pagando de turista, mas dormindo na casa dos pais, comendo comidas preferidas a diário, tirando roupa da mala (e colocando de volta, porque não tinha gaveta) e, principalmente, vendo notícias sobre a Colômbia no jornal e na TV brasileiros – e sentido que, neste momento, essa sim é a minha casa.
O lance das FARC, acordo humanitário (troca de guerrilheiros presos por reféns da guerrilha), Clara Rojas e Emmanuel etc é um assuntaço. É coisa séria, está sob olhar atento de governos do mundo todo, não só da Colômbia, e envolve aspectos tão plurais quanto a pluralidade louca da América Latina. Tem a ver com os rumos da política do subcontinente, com a comunidade internacional e os direitos humanos, com os rumos da Colômbia, até com a parafernália chavista da Venezuela, com seqüestro (que é um ato de loucura e via nenhuma para o poder popular, ao contrário do que defende a guerrilha), e, claro, com seres individuais.
Quisera eu entender melhor a raiz do conflito e de repente poder opinar com maturidade sobre o tema (quem sabe um dia), mas confesso que o lance individual me chama também e muitíssimo a atenção. Estou doida por inventar algum roteiro que esbarre no tema. E a questão que anda rodeando a minha cabeça é: como diabos rolou a aproximação entre Clara Rojas e o guerrilheiro com quem teve uma relação sexual (ou várias), que resultou em um filho?
Em que condições? Foi paquera? Foi estupro? Que deu do cara? Essas são outras. É por isso que eu ando de olho no assunto. Um olho meio voyeur, menos politizado, é verdade. Mas que tem muito a ver com essa sensação de “minha casa, a Colômbia, e meus conviveres colombianos”.
E para que digam que de política eu nada, aqui fica um aviso importante: dia 4 de fevereiro vai rolar uma marcha em diversas cidades do mundo pelo fim da guerra na Colômbia. Organizada aí a partir da iniciativa de jovens colombianos do “Facebook”, não tem apoio político por trás (de imperialistas, argh), o que já demonstra uma reação interessante (e local, o que é fundamental) pelo fim das FARC – organização senão terrorista, pelo menos assassina, que não tem por onde defender. Aqui em casa, eu sim vou comparecer.
Foto: a estampa de uma camiseta que encontrei na web. Bastante a ver com o assunto.
miércoles, 19 de diciembre de 2007
Será que é só na Colômbia?

O fato é que, durante meus primeiros meses em Bogotá, algumas bizarrices aconteceram. Juízo de valor é besteira, o negócio é por tal qual. Abaixo, três exemplinhos simples para vossa avaliação.
1. “¿Oye, me puedes limpiar el pelo?”
Estava num café esperando um amigo. Vem uma menina com o papel na mão, me manda a frase acima e explica que jogaram alguma coisa nela quando estava andando na rua. Não questionei, olhei pros lados e limpei. Saiu agradecida.
2. Isso lá é hora?
Chegamos eu e o Alex em casa, nada de luz. Ligamos pra Codensa, a empresa responsável pelo serviço, e eles disseram que mandariam os técnicos logo em seguida, o que seria 11 da noite. Estranho, mas inegavelmente eficiente, assim que consentimos. Nada dos caras, fomos pra cama e nela, às 2h30 da madruga, despertamos assustados com uma ligação da mesma Codensa, certos ao primeiro timbre que era má notícia. Mandaram a frase “los técnicos están esperando en la puerta”. Meio sem reação, deixamos entrar, e eles saíram às 3h30.
3. Não seja frouxo... pra tomar sorvete
Perto de casa, a mesma rua de sempre, pela qual passamos para ir almoçar. Uma lojinha de sorvete perdida, com uma mulher gritando na porta: “Helado de paila*! Atréééévete!”. E eu mal sabia que pra tomar sorvete tinha que se atrever (mas gostei do apelo e entrei).
*Uma panela de cobre onde fazem o sorvete (foto). Esse é considerado um tipo de preparação artesanal de sorvete.
1. “¿Oye, me puedes limpiar el pelo?”
Estava num café esperando um amigo. Vem uma menina com o papel na mão, me manda a frase acima e explica que jogaram alguma coisa nela quando estava andando na rua. Não questionei, olhei pros lados e limpei. Saiu agradecida.
2. Isso lá é hora?
Chegamos eu e o Alex em casa, nada de luz. Ligamos pra Codensa, a empresa responsável pelo serviço, e eles disseram que mandariam os técnicos logo em seguida, o que seria 11 da noite. Estranho, mas inegavelmente eficiente, assim que consentimos. Nada dos caras, fomos pra cama e nela, às 2h30 da madruga, despertamos assustados com uma ligação da mesma Codensa, certos ao primeiro timbre que era má notícia. Mandaram a frase “los técnicos están esperando en la puerta”. Meio sem reação, deixamos entrar, e eles saíram às 3h30.
3. Não seja frouxo... pra tomar sorvete
Perto de casa, a mesma rua de sempre, pela qual passamos para ir almoçar. Uma lojinha de sorvete perdida, com uma mulher gritando na porta: “Helado de paila*! Atréééévete!”. E eu mal sabia que pra tomar sorvete tinha que se atrever (mas gostei do apelo e entrei).
*Uma panela de cobre onde fazem o sorvete (foto). Esse é considerado um tipo de preparação artesanal de sorvete.
domingo, 2 de diciembre de 2007
Coisa mais linda
Música brasileira, na Colômbia, não é música regional, senão estilo musical. E está bem cotada, porque se escuta em todas as partes.
Diariamente à tarde, uma rádio programa só canções brasileiras (e tem coisa bem boa, melhor que muita emissora nacional que toca só música nacional). Qualquer bar toca bossa nova, tudo quanto é café tem MPB e os lugares descoladinho, vira e mexe, têm novos talentos brasileiros (dos quais, claro, nunca ouvi falar).
Mas qual não foi mi sorpresa ao escutar Ary Barroso em uma colação de grau, tocada em piano + violino. Olha só (vídeo), que coisa mais cheia de graça.
miércoles, 21 de noviembre de 2007
E bimba(s)! Levaram o celular...

Tá, má notícia. Não são minhas preferidas, mas o fato é que são de se pensar.
Cheguei à Colômbia em agosto e, aos 15 dias, abriram minha mochila e roubaram a carteira. Claro que eu já tinha escutado mil vezes para não bobear com bolsas e mochilas e claro que ficava de olho, com exceção desta vez, quando saí de um restaurante, caminhei 10 metros, tirei a mochila das costas (pra evitar roubos) e bimba! Carteira gone com cartão, 100 mil pesos e cópia do documento (pra provar para quem não acredita que sou espertinha e já batizada em outros cantos).
Dia vem, raiva vai, fui a uma festa vip do núcleo audiovisual colombiano com farta bebida grátis e tudo. Deixo o casaco de lado porque o whisky estava subindo e bimba 2! Entre os bem nascidos da festa, alguém meteu a mão no bolso do casaco e levou o celular. Eu ligo horas depois, roubo percebido, pra saber se tinha jeito. Uma mulher, Violeta, responde a chamada dizendo que esse celular ela comprou e, em outras palavras, que eu fosse à merda.
O triste de perder um celular são os contatos e o aparelho caro, mas como eu não tinha nem uns, nem o outro, fiquei só com o amargor da grana que se foi e da mandada à merda da Violeta, então logo consegui relevar. Mas nada é para sempre, nem mesmo a cabeça fresca, assim que me mandaram um aviso para CONTINUAR ficando esperta e bimba 3! Em um café bacaninha da cidade, o Juan Valdés, roubam a minha jaqueta (pasmem) e, no bolso dela, meu segundo celular colombiano enquanto eu papeava com uma amiga.
Tá, foram momentos meus de tranqüilidade os que geraram as oportunidades de roubo. O fato é que me pus a pensar, afinal, como eu, rata de São Paulo e de seus roubos mais violentos (pelo que pude verificar até agora), rendi tanto para os ladrões locombianos de plantão.
Passa pela minha cabeça que aqui na Colômbia tem mais furto, esses de oportunidade, que assalto feio. O que me leva, por sua vez, à conclusão que o gera o maior estresse (os assaltos feios) é o tamanho de uma cidade e, por conseqüência, sua complexidade em termos de colocar gente do lado de gente, sobretudo quando há diferença de renda (ou seja, sempre). Aqui seguimos no “terceiro mundo”, talvez com mais complicações, e não escuto falar das barbaridades de São Paulo e do Rio.
Enfim, não sei bem e tampouco sei se importa. Se alguém quiser dar uma opinião a respeito, deixa um comentário ou aproveita e me liga. Só não seja no celular.
Arcadia, a missão

E seguem as colaborações com a imprensa locombiana!
Este mês, escrevi sobre os atores norte-americanos que deixam o cinema para se dar bem na televisão. Colocando de outra maneira, o povo aqui anda interessado em sitcoms. E pra dizer a verdade, como comento no artigo, a novidade em termos de narrativa hoje está nas séries, não nos filmes. É uma pena, mas quem sabe essa não seja a brecha que Hollywood vai dar ao cinema do resto do mundo?
Anfã, vejam mais no próprio artículo em si: Adiós, Hollywood (revista Arcadia).
Este mês, escrevi sobre os atores norte-americanos que deixam o cinema para se dar bem na televisão. Colocando de outra maneira, o povo aqui anda interessado em sitcoms. E pra dizer a verdade, como comento no artigo, a novidade em termos de narrativa hoje está nas séries, não nos filmes. É uma pena, mas quem sabe essa não seja a brecha que Hollywood vai dar ao cinema do resto do mundo?
Anfã, vejam mais no próprio artículo em si: Adiós, Hollywood (revista Arcadia).
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