lunes, 23 de marzo de 2009
Curto esse curta
Esse curta foi feito com mais de 4.500 fotos fixas e sem som, só com trilha. A idéia fica redondinha com o fato da menina ser surda. Uma graça, e dica do meu amigo Matthias ;-)
Vejam lá:
Notte Sento (English subtitles) from napdan on Vimeo.
jueves, 26 de febrero de 2009
Amo Bogotá (mas nenhum amor é o que parece)

Volto pra São Paulo duas vezes ao ano, encontro pessoas queridas e, entre coisinha e outra, tenho a sorte de conhecer gente nova ou reencontrar desaparecidos. Esses dois últimos tipos de encontro geram sempre o comentário/pergunta: “Você na Colômbia? E é legal é viver em Bogotá?”. Eu, apaixonada que sou pela cidade, pela experiência e pelo tudo, digo que é o máximo.
Mas quem não sabe que todo apaixonado é cego? Eu, por exemplo, não tinha isso muito claro em termos práticos* ou teóricos (nunca li um livro de auto-ajuda, só um de espiritismo sobre relações conjugais até hoje). Até que estive dois meses fora no fim de 2008/começo de 2009 – um no Brasil (em São Paulo e no Rio) e outro pirulitando em Rotterdam, onde tive a sorte de estar para o festival de cinema, e em Barcelona, onde me encontrei efusivamente com um amigo local (aproveitando o vôo pra Holanda) – e percebi que me faltava um pouco de objetividade na resposta aos curiosos sobre minha experiência bogotana.
O fato é que voltei pra cá e tive duas notícias: uma boa e uma má (como a pessoa sempre termina descobrindo sobre seus amantes). A boa é que proibiram cigarros em lugares fechados em toda a cidade. Como resultado, volto pra casa depois de me divertir em bares, restaurantes, baladas, vernissages, coquetéis, lançamentos, tapetes vermelhos (indoor) e casas de swing (até parece; e me refiro a tudo depois de baladas) tão cheirosa como cheguei, sem aquela fumaça impregnada até nas entranhas. Adoro, adoro, adoro. Sinto-me pura. Nada contra os fumantes (na minha casa, qualquer amigo fumante é bem-vindo abrindo a janela, afinal sou democrática e, além disso, carente). O problema é morrer sufocada no meio de gente que parece não se importar em desmaiar, sufocada. Well, isso está over.
A má notícia é que o trânsito piorou, e muito. Já era ruim, mas outro dia eu estava num mini-ônibus mega-apertado (que aqui chamam de “buceta”, vejam a ironia) que não andava meia régua antes de brecar bruscamente. Pra piorar, estava chovendo, e os passageiros entravam (eu inclusive) com suas sombrinhas molhadas batizando todo mundo. Enjoada com as brecadas, úmida pela chuva e atrasada para o próximo compromisso, senti que meu amor por Bogotá se ia com a água pelos bueiros. Mas como todo apaixonado além de cego é burro, eu não queria desistir. “Gente, Bogotá é o máximo. Isso não importa! Estamos na América Latina e dos Estados Unidos pra baixo, a gente se ferra mesmo. Aliás, agora os Estados Unidos também”.
Finalmente cheguei ao compromisso, molhada, com dor de cabeça e com votos renovados, e tive uma alegre conversa com a pessoa que me esperava (compreensiva que era, até porque estou pra ver um colombiano pontual na minha vida). O amigo em questão me chamou atenção para algo óbvio: mas de meia Bogotá está em reconstrução. Estão construindo, arrumando o asfalto, ampliando a linha de transporte estilo Curitiba, que aqui se chama Transmilênio, trocando tubos, buscando o Japão... Tudo ao mesmo tempo. O trânsito, óbvio, piorou e muito**. Eu não noto (ou não notava), porque faço minhas coisinhas a pé, pra evitar o calor humano quando eu não chamo por ele. Só que a coisa anda realmente insuportável sempre que quero ou preciso pegar transporte, táxi incluído.
Resumindo, meu marido Bogotá não é fácil. É todo setorizado, separa de maneira quase fascista os ricos dos pobres, é frio (porque é alto), não absorve o trânsito, não é fashion e acorda cedo demais pro meu gosto. Só que dança bem, é arrumadinho, é um injustiçado (a quem eu quero devolver a justiça e a dignidade) e, melhor que qualquer coisa, me recebeu, charmoso, animado, cheio de planos.
Eu engoli o papinho, afinal ele merece uma chance. No fim das contas, ando a pé. E nós tampouco nos casamos.
* Agora, também sei que todo apaixonado é cego em termos práticos. A vida me golpeou.
** Aqui também tem rodízio, só que chama “pico y placa”. Diferente de São Paulo, a determinação por final de placa é que não se podia usar o carro DUAS vezes por semana, em horários de pico. Com a crise do trânsito porque a cidade está mais esburacada que a superfície lunar, determinaram que nesses dois dias, os carros em questão não podem sair EM NENHUM MOMENTO, mais que nos horários de pico. A galera está em polvorosa. O rumor é que essa decisão fez as pessoas comprarem mais carros, pra ter a opção de pegar o outro no dia em que o primeiro não pode circular. De onde vem o dinheiro? Não sei. Mas que é bizarra essa reação, isso é.
Foto: Bogotá, do centro pra trás.
jueves, 8 de enero de 2009
Decidi como lidar com o meu 2009
Desejados os votos de bom ano a torto e a direito, as pessoas começam a sentir que é preciso estender alguns assuntos, e não ficar só no “feliz 2009”. Bom, eu, que ando meio carente e sola nesta vida, escutei do meu best friend – ou friend besta – uns conselhos bem específicos sobre como levar a vida este ano para curar a indesejada carência. Prefiro manter o nome dele em sigilo, uma vez que a conversa suscitou uma dúvida, mas não deixarei de reproduzir as melhores partes do diálogo que tivemos online (mas não menos realista). Tem até uma previsão no final.
AMIGO: Aproveita as coisas boas do lado profissional e esquece um pouco o emocional. Vai se divertindo com o cara errado enquanto o certo não aparece. Procura novas experiências sem se preocupar com o emocional... Cai na gandaia, mas não com quem você já conhece.
CAMILA: O problema é que a oferta de desconhecidos tá ruim. Até agora...
AMIGO: Isso porque os homens carinhosos, bonitos e sensuais, estão todos com namorados.
CAMILA: Homens com namorados? Virge, sobrei mesmo.
AMIGO: Tudo gay. Você tinha que ver o Reveillón em Copacabana.
CAMILA: É... O mundo tá ficando cada vez mais gay.
AMIGO (OU SERÁ INIMIGO?): É.. Em breve o terceiro sexo será o segundo.
CAMILA: E você, já se decidiu?
(...)
PS: Ponho a mão no fogo que meu amigo não é gay.
jueves, 18 de diciembre de 2008
Bicicletando em São Paulo

Em SP!
Por sugestão do Palmas, fui re-reconhecer a cidade não de carro, como é comum por aqui, mas de bicicleta. Saí da casa dos meus com ele semana passada no meio do caos do trânsito e fui quase atropelada 50 vezes, até que conseguimos nos reunir sãos e salvos com o grupo da Bicicletada.
É uma galera que passeia de bike junto todas as últimas sextas-feiras do mês. E, muito auto-conscientes que são os participantes, muitos vão para seus trabalhos e afazeres de bicicleta, economizando carros pelas ruas paulistanas.
Foi o maior barato, especialmente porque chegamos até a bonita mas fracassada ponte Estaiada – um investimento enorme na região onde está, mas que não permite a passagem nem de ônibus, nem de pedestres e, claro, nem de bike.
Já tô pensando em adotar o lifestyle quando voltar pra cá ;-)
Interessados, vejam mais fotos no Flickr.
lunes, 3 de noviembre de 2008
Chus em todas suas facetas
Vejam vocês o vídeo que colei aqui e outros mais no canal do You Tube.
Um flickr que renasce

Eu andei meses sem câmera digital, por isso as fotos deste blog (nos poucos posts que andei escrevendo nos últimos meses) estavam meia-boca. Agora comprei uma nova, assim que terão que aguentar novos vídeos no You Tube e novas fotos no Flickr.
Falando neste último, já renasci minha pagininha de fotos, assim que visitem de vez em quando para chimosear: flickr.com/photos/milaca.
Comecei basicamente com fotos da nova casa, do Chus e de amiguinhos, como a querida Nora, que me acompanha na foto deste post.
Ó, exibicionismo ;-)
Camila toca em Barcelona
lunes, 27 de octubre de 2008
Cuidado, bonitón
Rumba democrática II: “Este país sin BALADA no es posible"
A balada democrática pró-votos do Dieguinho sexta passada foi ficando séria, então ele teve que mandar um discurso sobre sua candidatura. Como eu sei que um dia ele será famoso, publico-o aqui quase na íntegra. Como maneira também, claro, dos amigos distantes – como o Ernesto – morrerem de rir com a propaganda eleitoral.
Rumba democrática I: Diego calentando la ilusión de los bogotanos
Este fim de semana teve eleição interna dos partidos aqui na Colômbia. Apesar de que está rolando uma onda de deportações de estrangeiros por parte do DAS - este órgão colombiano tão fascista (uribista) que dá inveja -, eu me atrevo a publicar aqui um vídeo da rumba (balada) democrática organizada pelo Dieguinho para conquistar eleitores para si e seu partido, o POLO Democrático. A proposta do candidato? “Festa na minha casa não irá faltar”.
sábado, 25 de octubre de 2008
Cam e sua webcam






Um dia minha própria mãe reclamou que não podia falar comigo no MSN com câmera (o que é viver a era da internet...). Outro dia, um amigo que adoro perguntou se não dava pra gente matar as saudades com voz e imagem, ainda que no plano virtual. Eu, que jamais me havia rendido ao voyeurismo/exibicionismo da internet de maneira tão efectiva, fiz o (talvez) inevitável: comprei uma webcam.
Entendi que, além de satisfazer as vontades dos que estão longe e que quero que estejam perto, poderia começar a viver uma nova era da minha vida: a em que as câmeras de vídeo não me incomodam. Passei por um processo parecido, há uns 12 anos, com máquinas fotográficas. Não gostava de tirar foto, fiz um esforço e passei a curtir.
Quem sabe agora, em tempos de You Tube e Big Brother, eu não supere o último nível da minha timidez midiática??? Assim que, amigos conectados, conectem-se para falar comigo e me ver ao mesmo tempo. Como nos desenhos dos Jetson's!!!
domingo, 5 de octubre de 2008
A nova bogocasa e a prática constante da "nova vida"

O processo foi longo e quase dolorido (na verdade, nem tanto uma coisa, nem a outra; o fato é que, na minha vida, eu quero tudo resolvido bem rápido, questão pra terapia). Porém, parece que chegou ao final: depois de pular, na seção de classificados do El Tiempo, de anúncio em anúncio - a maioria deles prometendo o que não têm, como os que dizem "mobiliado" e depois só tem a cadeira de praia "mobiliando" a sala, nada mais -, passei com o Diego por uma rua e anotamos um telefone que foi o premiado.
Liguei, fui ver no mesmo dia, no mesmo dia apresentei os documentos (estava desesperada e já tinha tudo pronto para os mil apartamentos que vi antes, graças ao Diego, meu fiador, e à mãe do Alex, minha outra fiadora).
Toda essa busca, apesar de não ter me agradado (nunca me agradam as buscas, só as descobertas; vejam que mimada), me fez pensar como na Colômbia tudo e todos são tão tolerantes aos estrangeiros. Aluguel (ao mesmo preço que qualquer colombiano; não como em Buenos Aires, onde a Helô esteve pagando 5 vezes mais que um local), freelas, empregos... Tudo é possível sem maiores complicações aqui para um estrangeiro. Ou, pelo menos, está sob as mesmas complicações que vive qualquer um.
Bom, depois de um mês e meio, saí da casa do Diego, querido amigo, família, marido de alma, amante por conveniência (como diz o Germán, apesar de não exister realmente nada entre os dois; vejam vocês, estou em greve contra o fracasso e para combater a desilusão). Foi duro, afinal eu andava bem consentida, como dizem aqui, ou cuidada, como se aprecia em qualquer lugar. Mas não há nada como começar de zero, olhar à distância, manter a imparcialidade.
Estou feliz por voltar a mim, ou a uma versão melhor de mim, aqui na nova casa. É um espaço pequeno, mas amplo ao mesmo tempo (pelo menos, para um apê de quarto e sala). Tem cores, o mínimo toque pessoal que pude dar, e tem praticamente todos os móveis do Alex, cujos mais recentes planos incluem o objetivo de zarpar para a Argentina e estudar direção de arte e cenografia para cinema - áreas onde tenho certeza que vai se dar superbem (esse parênteses é merecido. Segundo a Helô, meu "súper yo" o sufucou na Colômbia ou, em outras palavras, a Colômbia ficou pequena para uma convivência entre ele e meu "súper yo". Insisti que o problema dele era o Uribe, assim como foi para o Ernesto, mas eu mesma bem sei que não. Tampouco fui eu, tá?).
Os amigos (bogotanos, obviamente) já vieram conhecer, porque teve festinha de inauguração essa sexta. Ah! E esqueci de comentar que o Chus, meu querido perrito louco, de agora 1,2 anos de vida, voltou à casa, como sempre faz o bom filho. Assim que somos eu e ele. Na festa, obviamente, foi a grande atração-chatice do pedaço (nunca vi cachorro tão exibido na minha vida).
Agora faltam os amigos made in Brazil. Esses, pelo que imagino, não vão vir. Na minha vida, sempre me visitaram os amigos mais improváveis, ou seja, italianos, suíços, espanhóis e alemães que comigo, na verdade, conviveram pouco. Os amigões de longa data são os que não vêm.
Mas vou parar de me queixar!!! Afinal, o post aqui é pra celebrar a nova vidinha. Afinal, tou feliz.
Vejam as fotos da casita e deixem comentários.



miércoles, 20 de agosto de 2008
El tiempo anda volando...
Ya que puede, tiene que volar. É o que disse Mala Rodriguez, ótima cantora espanhola de hip hop. O fato é que meu tempinho anda a jato.
O que fazer pra deter o tempo, pegar as coisas com a mão e, igual que criança, acordar sábado pra ver desenho com uma sensação enorme de tédio enquanto os pais não acordam?
Acordei outro dia e vi que já sou do time das rugas.
De todo jeito, as rugas não me importam. A porra do tempo sim.
viernes, 15 de agosto de 2008
E quem disse que cachecol é sexy?
Por favor, participem, colaborem e opinem. Em Bogotá faz frio. E as casas nao têm calefação. Na Alemanha, por exemplo, pode fazer o maior frio da história no inverno, mas indoor a pessoa pode até ficar de regata, dependendo da situação. Aqui não tem isso.
Assim que é quase impossível, pelo menos para uma pessoa relativamente normal (friorenta) como eu, não usar meia-calça se ponho saia, não por casaco de la com vestido, evitar algo no pescoço se vou de decote.
Estou em crise. Nunca banquei a gostosona, mas eu - que aqui não vivo sem jaqueta - estou me sentindo universitária em excesso (intelectualzinha, sujinha e pobrinha). Uma vez um amigo me disse, quando eu o convidei pra ir ao Espaço Unibanco, que esse era o cinema do povo que não tira o cachecol do pescoço. Em outras palavras, cachecol = pose de aspirante a intelectual aspirante a cinéfilo. Zero sexyness.
Estou zero de sexyness! Será que pra estar bonita tem que sofrer? Será que frio vence sexy appeal? Quem tiver respostas, já sabe.
Crônica amorosa de um sorvete de menta
Pois foi numa esquina, quando me deu vontade de comer doce, que entrei num Dunkin&Donuts e, entre rosquinhas esbranquiçadas, encontrei uma variedade de sabores de sorvete. Desde longe (o que pra mim são tipo 30 cm, porque sou cega), vi que dois deles eram verdes. Como não há variedade de pistache, o coração começou a palpitar. Logo, a descoberta: na Colômbia, sim, tem sorvete de mentaaaaa!
Amo sorvete de menta. Originalmente, confesso, esse gosto em mim foi influenciado. Minha tia Lisa sempre pedia esse sabor quando íamos tomar sorvete no Rocha, em Ubatuba. Mas o encontro entre eu e essa delicatesse foi tão tão, que, desde os 10 anos, essa é minha pedida certa (ainda que eu combine esse sabor com alguma variação de sorvete de chocolate).
Daí a minha extrema alegria ao descobrir que o "outro" verde era de menta.
Não pedi o sorvete nesse momento. Saí de lá preparando mentalmente a notícia para contar ao Alex, que tanto buscou esse sabor comigo durante meu primeiro ano em Bogotá (já comentei que cumpri 365 de Cocolômbia dia 3 de agosto?). Ia dizer pra ele que minha primeira tomada de sorvete de menta em território colombiano ia ser com ele.
Nos encontramos fora de casa nessa mesma segunda-feira para tomar algo, e o clima estava raro. Terminamos discutindo, depois de um encontro todo atrevessado, que nem eu, nem ele entendemos ou provavelmente chegaremos a entender. No lugar da minha notícia tonta, mas bem animada, o comunicado - recíproco - foi que já não tinha por onde tentar refrescar nossa relação.
Entre mortos e feridos, fico (e terei que ficar) com a refrescância do meu recém-descoberto sorvete de menta. Vou tomá-lo sozinha, essa primeira vez.
Por que será que as buscas sempre parecem acontecer a dois, enquanto as descobertas só se dão mesmo na solidão?
miércoles, 6 de agosto de 2008
O amor - eu sei - existe

Bom, ele também me prometeu uma casa na praia. E queria pagar o segundo semestre do meu mestrado. Quis saber quantas horas de vôo são para o Brasil, quanto vale a passagem e como faz pra marcar. Chamou minha mãe de sogra, botou panca no cara que cuidava do barraco onde eu fiquei hospedada em uma rede para ele cozinhar frango pra mim (lá só tem peixe) e também cuidou do meu abastecimento diário de cerveja (umas 20 “shortnecks” por dia; short porque cada garrafa tem tipo 200 ml).
Aí eu pergunto pra vocês: o amor, a doação e a piração existem ou alguém ainda duvida???
Novamente bogotando, presente e atuante
Uhú!Fui, voltei, e aqui estou de volta.
Estou devendo aquela explicação sobre meu bombástico primeiro semestre: o que aconteceu é que a realidade provou seu cacife, e minha insistência dourada em acreditar que o amor existe e é facinho teve que se transformar em uma pequena mas pesada administração de conflito.
Saí da casa do Alex, fui viver na Candelária (bairro colonial que fica no centro de Bogotá), onde o frio congela os pés, as mãos e às vezes os ânimos (o bairro é alto, portanto mais frio, e as paredes das casas, que por sinal são lindas, não esquentam muito). Em poucas palavras, tive que usar meu então nível reduzido de energia pra trabalhar, manter em dia o mestrado e me tirar do “bajón”. Acho que deu certo, porque fui a São Paulo trabalhar e conseguir plata pra seguir com os planos aqui (ou onde quer que seja), pensei e voltei. E, falando a verdade, passei um período muito legal na Candelária, sem falar da viagem de renovação à Guajira, região norte da Colômbia, onde o deserto encontra o mar do Caribe – e eu me encontrei, feliz (a fotinha é pra ilustrar o curioso estado de espírito). Resultado: nova visão das coisas colombianas e da minha participação aqui na loucurinha.
Bom, explicado o drama, vamos pra fase “paquitas, nova geração”. Voltei com os votos renovados. Estive em Buenos Aires, e minha querida amiga Helô (que cuidou muito bem de mim) foi uma grande inspiração para esse essencial desapego às coisas materiais que a pessoa tem que ter para ser um andarilho no mundo. Ela também faz mestrado fora, lá em Buenos Aires, e sabe da importância não só de “ter somente aquilo que se pode carregar”, citando-a devidamente, como de seguir adiante com os planos, ainda mais quando são planos de estudo, aprendizagem, experiência no mundo. Ser coerente, ser persistente.
Se tudo acontece como planejei (se leram o parágrafo anterior, sabe que não vai ser bem assim, mas não importa), em Bogotá estarei até o final do ano que vem. Não sei se já comentei aqui, mas a Colômbia me tem obcecada com o que é um país. Um país são duas coisas: um contexto social, político e econômico, por um lado, e um coração, por outro. Estou ligada à Colômbia por esses dois lados, e bastante. Quero me meter nesse contexto, aprender, me empanturrar e depois seguir a vida como seja, mas diferente. E também me sinto em casa, e aí está a parte do coração. Nunca senti aqui que estava em um lugar desconhecido. Sensação assim, estando de fato em um lugar desconhecido, não é coisa que eu queira desprezar.
Ando fazendo mil coisas e louca pra me organizar. Tenho muitas vontades e poucas horas no dia, assim que o mestrado vai ter que imperar, e o tempo que sobra terei que repartir entre o trabalho na produtora, o esforço pra manter vivo meu querido e necessário Lalatina.com.br, as colaborações com a Arcadia, com a Folha e, com sorte, com a Piauí, o projeto do livro, o projeto do roteiro, e os jobs que me garantem a grana. Muita coisa, já viram, então algo vai ter que dançar, antes que dance eu.
O fato é que sigo aqui presente e atuante. Ando com vontade de escrever coisas que não têm que ser tão pensadas antes de tocar o papel, assim que este meu querido e humilde blog pode ser uma boa via de escape, assim como os ouvidos (ou olhos) de vocês, queridos amiguinhos.
Estarei ainda mais presente. E atuante.
Besos, besos, desde o país da Operação Xeque, Jaque, Jegue....
lunes, 16 de junio de 2008
Blindness, de fora pra fora

Ai, ai, ai. Mas enrolação e mea culpa deixados de lado, apareci novamente para dizer que há um novo artigo meu na Arcadia! E é legal!
O tema da vez é o Blindness, novo filme do Meirelles, e o texto é uma homenagem (que tentei fazer) às pessoas que se esforçam para dar o melhor de si em seus trabalhos (como acredito que é o caso do Fernando, mesmo sem conhecê-lo) e também àqueles que são talentosos além de finos, como demonstrou ser Saramago, o dono da história original contada pelo filme, que reagiu brilhantemente à adaptação de Meirelles.
Desculpem (ai, cultura católica) por só estar reproduzindo coisinhas aqui, mas é o jeito. Acho que em pouco tempo conseguirei inverter a ordem e voltar ao de dentro pra fora.
Comentem, pues!
:: ¿Quien es el ciego? (Arcadia) em espanhol, aqui.
:: Quem é o cego? (La Latina) em português, aqui.






